
Eu sempre tenho medo de na hora de dissertar sobre um assunto muito animador de parecer tiete demais ou falar merda. Mas não posso deixar o evento de ontem (ao qual já enchi o saco de milhares em milhões de pessoas) passar em branco.
Alguma hora vai parecer que foi por que eu tirei foto com ele, ou por que peguei autógrafo, ou por que ele passou a mão no meu rosto quando eu o parabenizei pelo trabalho (Se cuida Globeleza! Tô na área! ;P), ou por que ele é quase do meu tamanho enquanto eu estava usando um humilde all star, mas não, não é por isso, a palestra do Hans Donner, ontem, dia 28 de outubro de 2008 foi FODA!
Foi foda mesmo, nem quero lembrar do post de outrora sobre palavrões, duvido que alguém coloque uma expressão que realmente explique a empolgação de assistir o maior designer do Brasil (Áustria, é o caralho!) contar parte de sua experiência em uma palestra tão foda!
Então, let’s go…
De início queria dizer que a Faculdade CCAA está de parabéns pela recepção e organização do evento. Eles podem não ter o maior auditório do mundo, mas a qualidade acústica estava perfeita! Tanto que eu ia tirar umas fotos, mas acabei filmando o evento TODO! Deram materialzinho também, coisa que sempre senti falta nas palestras do Infnet, por exemplo. Na próxima vou até deixar a dica.
O que eu posso dizer da palestra?
Não foi só uma palestra de design apenas, mas de sentimentos, coragem e desafios. Soluções, em suma, creio eu, e também sobre percepção visual, análise de sinais, e humanismo até, e política. E se ele fizesse parte do grupo de depoimentos do filme/livro “O Segredo” provavelmente falaria sobre as mesmas coisas de ontem. É sério, o cara é um gênio, você reconhece de longe uma pessoa que gosta do que faz, e que faz com amor.
Ele não ensinou a fazer briefing, não ensinou a fazer brainstorm, nem nenhuma técnica ultra-secreta de manipulação digital. Ao invés disso, ele deu exemplo de humanismo, garra, coragem, desempenho, fé, paciência, comprometimento e resultados. Falou sobre a importância de seguir os sinais que a vida dá, no dia-a-dia mesmo, e que a maioria de nós nem percebe. Mostrou toda a trajetória da marca da Rede Globo, todas as aplicações e adaptações ao longo do tempo, mostrou alguns making of de criações de aberturas de novelas e todo o processo criativo que o levou a chegar a tais resultados.
Dos momentos mais importantes que tiveram (pra mim), foram:
1) Quando ele explicou a criação da abertura da novela Deus nos Acuda, uma afronta à situação política do país, colocando as pessoas numa festa, onde a lama invadia e ninguém nem percebia, assinando cheques altíssimos, festejando, e por fim, toda aquela ilusão da ambição material e o próprio Brasil, no final, sendo roubado do mapa, descendo pelo ralo. E eu digo que foi um momento auge por que, se alguém parar pra pensar, não mudou NADA até hoje (não vê a briga pela Amazônia?) e as pessoas continuam cegas. Por que momento importante? O cara se mostrou mais brasileiro do que muito brasileiro por aí, disse que não se importava se fosse expulso do país com essa abertura, não se importava em ficar retido 1 ou 2 anos na Áustria (esquiando, of course!), se fosse pra depois voltar para um Brasil melhor.
2) Quando ele fala sobre a necessidade de renovação. Das vezes em que a gente tem que sacrificar algo para conseguir algo melhor depois. E cita a história da águia, que com 40 anos tem que tomar a decisão mais radical, de arrancar o bico, as unhas e as penas, e ficar sem comer durante 5 meses, para depois sair para o vôo da vitória, e viver por mais 30 anos. Por que momento importante? Por que estou passando por algo semelhante. Ele cita essa história na apresentação sobre o redesign da marca da Rede Globo e da marca da RBS TV, que balançou o coração de muitos presentes.
3) Durante TODA a palestra, ele não se cansou de mencionar seu amor pela esposa e os filhos, não se cansou de dizer o quanto era ruim estar longe deles e mesmo assim, ter que se ausentar para dar prosseguimento ao seu trabalho. Nisso, ele explica ao filho sua ausência citando a história do “Velho e o Mar” dizendo que teria que ir um pouco mais longe, para conseguir pescar um peixe maior. Por que esse momento foi importante? Muitos pais saem e voltam, e simplesmente nem se comunicam, não se tratam como família. E ele não, ele deixou uma história, algo para o filho recordar e se orgulhar, quando ele voltasse vitorioso, com o “peixe” na mão. Sei lá, achei foda!
4) Impressionante como em MUITAS das fotografias que ele apresentou tinham “sinais”, mensagens ocultas que a maioria das pessoas (me inclua) não repara. Eu fiquei pensando, quantas dessas não deveriam acontecer com a gente, e a gente não vê. Deu vontade de voltar pra casa e catar todas as fotos e reparar em todos os cenários, e ver se tinham alguma relação com a situação do momento. E to tentando ser mais atenta também aos sinais que a vida mostra, no dia a dia mesmo, no pictures.
5) E por fim (não quero mais me alongar), a apresentação do relógio Timension, o primeiro e único design do tempo, que eu pude ver, no pulso do criador. Confiram no site: (http://www.timension.com.br/). No site tem como baixar screensavers.
No final, ele deu uma entrevista, tirou fotos, deu autógrafos e respondeu perguntas.
Olha a foto que nós tiramos…

Agora…olhem a minha cara de nervosa…

Fala sério, como eu disse offline, podiam me tirar e pôr a Hebe ali que ninguém ia notar a diferença! Eu tava tão nervosa que fiquei tremendo. Tava vendo a hora de começar a sambar igual a Globeleza lá em cima do palco de tanto que tava tremendo hahahaha.
E por fim…

É isso ae!
;]