Causa e efeito.

29/10/2009 às 19:06


Ano: 1999. Ou menos. Ou mais. Não sei. Nessa época, esta que vos escreve não tinha o embasamento moral que tem hoje. Normal. Evolução é assim, hoje você é um cidadão de respeito, mas ontem pode ter sido um grandessíssimo asshole. O fato é que eu fui, não uma monstruosidade, mas parte do grupo “só-eu-e-minhas-amigas-prestamos-o-resto-é-puta” que hoje em dia evito com toda diplomacia. Eu não era a pior, digamos que eu fosse aquela única do grupo que cedia a uma conversa mole com uma outra integrante qualquer do grupo inimigo, o que na época me rendia o posto de “babaca” e que hoje me faz respirar e agradecer por ser parte da cura das restantes. Qual teria sido nosso futuro se não percebêssemos a tempo que éramos um bando de idiotas? Enfim, o fato é, fase é fase, e todo mortal de sorte na vida teve adolescência, e se não passou pelos mesmos problemas passou por piores. Ou melhores, em comparação aos meus, talvez.

Se eu pudesse voltar no tempo com a mentalidade que tenho hoje algumas coisas seriam diferentes. Não vou entrar no mérito de dizer que faria tudo de novo por que isso soa muito mais poético do que verdadeiro. Eu mudaria umas coisas sim, principalmente a minha falta de respeito com as outras pessoas, pessoas que eu não conhecia e mesmo assim me dava ao luxo de dizer asneiras por conta de raiva, ciúme e etc. Mais ciúme, na verdade. Eu fui uma garota mimada, que sempre se apaixonava pelo cara errado achando que um dia ele mudaria e teríamos uma vida perfeita. Não foi assim. E além de ter me ferrado no amor me fez passar pela situação totalmente dispensável em que me encontro hoje. Acho que as mães de dois amiguinhos do meu filho foram minhas vítimas no passado.

E agora?

Anteontem a filha de uma delas chamou Nicolas pra uma festinha Halloween no prédio delas, e como as crianças de lá sempre vêm brincar aqui, não me vi na posição de recusar. O foda é que é uma situação completamente constrangedora, tendo em vista que acho que elas se lembram de tudo que eu falei naquela época idiota e meio que ainda guardam rancor disso. Mas ao mesmo tempo, pode ser uma oportunidade de lavar a louça de outrora e acabar ficando tudo bem, já que já se passou tanto tempo e que eu não sou mais aquela escrota de antes. Enfim, só indo pra saber. Tomara que dê jeito de resolver essa situação.

“Mesmo conhecendo os erros alheios, e talvez por isto mesmo, deve perdoar. O perdão liberta todo mundo. Ilumine o seu caminho com esta luz. Que é atributo dos espíritos vencedores.”
Bilhetinho da Sorte



Cats: Diário de bordo

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Tribal Fusion

21/10/2009 às 18:27


Toda vez que um trabalho é recusado por um cliente eu fico meio deprimida. O jeito como eles falam, a arrogância nas críticas… Não são todos, claro, mas muitos deles parecem que não acreditam que você realmente teve algum trabalho fazendo o que deveria ser feito. Parece que pegou um template qualquer, fez umas alterações, colocou uma imagemzinha bonita aqui e ali e entregou, sem estudo, sem preparação. Dói mais quando você meio que “se apaixonou” pelo resultado e o cara disseca, contando as miudezas de seu fracasso e o quanto você está longe de um sucesso naquele resultado. É foda. Nem todo mundo nasce Evelyn Grumach, embora eu saiba que a idéia que eu tenho de vida perfeita relacionada a ela é totalmente errada.

Eu imagino a Evelyn a pessoa mais feliz do mundo, acorda sorrindo, tem uma mesa farta de café da manhã, se arruma tranquilamente escolhendo cautelosamente cada peça de roupa, sempre muito limpinha e passada, toma aquele banho caprichado e desce as escadarias de sua casa, minuciosamente bem decorada, pelo corrimão, cantando “so long, farewell, I need to say goodbye” para seu bem disposto marido e agraciados filhos. Não imagino a Evelyn tendo um único trabalho recusado, a vida dela é tão musical da Broadway que seus clientes cantam ao final da apresentação de cada projeto. Seria perfeito? Hmm… não. Até por que pra ter chegado aonde chegou, acho difícil que ela tenha essa vida tão cor-de-rosa como acabei de dizer. Os acertos nos envaidecem, mas dificilmente nos fazem crescer. Meio que temos que agradecer pelos clientes-pé-no-saco, pois são eles que nos forçam a pensar além, a esgotar nossas alternativas, pra quando acharmos que finalmente conseguimos, eles recusarem, e mandarem seu prato voltar.

O erro foi meu mesmo, tenho que admitir. Li o briefing, pensei em uma solução, achei simplesmente perfeita e dei o meu melhor, mas dei o meu melhor na minha primeira solução. É um erro acreditar em coisas simples e finais felizes, o acerto é recusar toda primeira boa idéia, ler e reler o relatório, se colocar em todos os ângulos, entender do jeito que achou ser o certo, e se forçar a entender também o errado. E ainda assim, admitir que mesmo dando tudo de si, provavelmente você ainda vai ter que voltar. Quer mudar de profissão? Eu não. Deve ser um bom sinal então.

Enquanto minha carreira de designer formada vai pelo buraco, a de fotógrafa amadora tem sido bastante interessante. Domingo fotografei um evento de dança tribal no teatro do Centro Cultural Marista. Não conhecia muito, meu conhecimento sobre dança étnica se restringia apenas à dança do ventre e algumas vertentes, mas pelo que pude assistir das palestras e andei pesquisando nesses wikis da vida, pareceu bem interessante. Deu até vontade de fazer.

Tribal é um estilo contemporâneo de dança onde são valorizados aspectos étnicos de diversas culturas em fusão com conceitos de universo feminino e união. O Tribal é guiado pela filosofia da multiplicidade de estilos: tantas são as etnias presentes no mundo, tantas são as possibilidades da criação.” (http://www.dancatribal.com.br/a-danca-tribal)

Festival Tribes Brasil

Tribal Fusion

Tribal Fusion

Tribal Fusion

Jhade Sharif

Jhade Sharif

Tribal Fusion

Cabaret fusion



Cats: Diário de bordo, Fotografia

O Rádio

10/10/2009 às 18:50


walkman aiwa

Ontem à noite, depois da chuva torrencial que São Pedro nos presenteou, Leo chegou em casa e eu ainda estava acordada, o que ultimamente não vinha acontecendo. Apesar do lamaçal na sua quase esponja (vulgo all star), a pessoa ainda conseguia manter alguns pixels de bom humor, então conseguimos jantar e conversar até a hora de dormir, apesar do cansaço. Eu não sei exatamente como chegamos ao assunto, mas em determinado momento começamos a lembrar dos tempos de adolescência, dos programas de rádio, das músicas. Naquela época acho que as pessoas que ainda não tinham um estilo musical muito bem definido acabavam ouvindo rádio mesmo, o que tocasse, sem muito comprometimento. Os programas eram engraçados, inteligentes e as músicas suportáveis, quiçá até bem agradáveis, comparadas as de hoje.

Era normal que as faixas de maior sucesso tivessem paródias, a maioria bem sem graça, mas outras muito criativas, como o clássico “É o tetra!” que parodiava a música “Requebra” de algum grupo maluco de axé da época. Tocava muito ace of base, “the sign”, “all that she wants”. E tinha um programa na rádio RPC FM (!!), com Andrea Gasparetti, que eu era viciada em ouvir.  Eram telefonemas no meio da madrugada, ela colocava um casal que não se conhecia pra conversar por telefone e ficava dando pitaco na conversa, MUITO engraçado! Ás vezes, quando não dava pra ouvir, eu deixava o programa gravando a noite e ouvia no caminho da escola.

Lembro também do sacrifício que foi tentar gravar a música “Bad girl” da Madonna pela rádio, demorava séculos pra tocar e quando tocava eu sempre apertava o rec com milissegundos de atraso e ficava puta por que o radialista sempre comentava alguma coisa no final da música e “estragava” a gravação.

Enfim, os jovens de hoje não fazem idéia de como era isso, ta tudo tão pronto, tão disponível. Ontem à noite eu já tinha desligado tudo no escritório quando estávamos conversando, se não teria voltado aqui pra pesquisar qual foi o fim da Andrea. Mas hoje, uma das primeiras coisas que fiz foi googlear essa informação. Não encontrei nenhuma notícia, mas me deparei com esse vídeo. Super psicológico, dá pra matar a saudade um pouquinho.

Eu tentei ligar o rádio antes de dormir, ver se tinha alguma estação que me chamasse atenção, mas não encontrei. É uma pena. Às vezes dá vontade de voltar no tempo, mas talvez nem fosse a mesma coisa agora, então melhor assim. Fica na lembrança.



Cats: Diário de bordo

Retorno

07/10/2009 às 22:23


Tem momentos na vida em que a gente se sente obrigado a parar e pensar que tudo que nos aconteceu até hoje, influencia brutamente em quem somos, em quem nos tornamos. Mas ao mesmo tempo temos que saber que cada segundo é uma decisão diferente do que queremos pro nosso futuro. E principalmente, que isso muda tudo!

Há pessoas no mundo que vieram com a incumbência de nos fazer sentir pior, nos puxar pra baixo, mesmo que essa decisão não seja racional ou consciente. Essas pessoas te desprezam, te olham torto, duvidam da sua capacidade e já nem fazem mais questão de esconder. Dói dentro delas, alguma coisa que não temos como saber o que é, mas que de alguma forma deve ter a ver com a gente. Vai saber… A comunicação não faz muito sentido com essas pessoas. Mas por outro lado, existem aquelas que insistem em nos levar pra cima, querem nos ver crescer, evoluir e ser feliz.

Hoje eu tomei a decisão de agradecer às pessoas que insistem em me puxar pra baixo, apesar da resistência, graças a vocês eu tenho a possibilidade de me lembrar a todo momento que eu quero ser feliz e viver. Por mais que eu chore ou que doa, e apesar da perda de tempo, é assim que eu consigo observar o caminho, que é lindo, e que passaria despercebido se eu pudesse simplesmente correr até a linha de chegada, olhando apenas meus objetivos, e esquecendo de tudo e todos ao meu redor. Obrigado pelas pedras! Ganhei molduras lindas na história da minha vida, conheci amigos fascinantes, pessoas que eu quero acompanhar em evolução e crescimento.

Quero agradecer também às pessoas que me levantam, pois graças a vocês, quando olho o caminho que tracei, posso abrir um sorriso e me deixar levar pelo otimismo de encontrá-los para o nosso futuro brinde, onde existem sorrisos sinceros, risadas altas e até lágrimas, mas de alegria. Essa não é uma mensagem de despedida, e sim de recomeço. Perceba a situação.

As pessoas na nossa vida nada mais são do que personagens de um cabo-de-guerra, uns ficam do lado bom e os outros do lado ruim, e se você decidir não agir, leva a vida assim, neutro, sem sentido, linear e desinteressante. Hoje eu fiz minha decisão. Tarde? Não sei. Dizem que nunca é. Mas não vou mais dar ouvidos, não vou mais me fixar em frases sem sentido, que na verdade só mostram o quanto as pessoas são tristes e vazias, e o quanto elas querem companhia nessa decisão de vida infeliz que escolheram. Não faz sentido ficar perto delas, não faz sentido ouvi-las. Se elas mesmas se ouvissem, se realmente se ouvissem, talvez já tivessem mudado de time. Mas não, ficam lá. Um dia… Quem sabe?

Obrigada amigos, de coração! Pelo sorriso gratuito, pelas mensagens engraçadas e até por confiarem suas vidas aos meus ouvidos quando precisam. São vocês que fazem esse caminho mais interessante. E o resto é resto, sinceramente, não vou mais me importar.

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Comecei a fazer um curso de fotografia. Foram 13 aulas, amanhã é a última e teoricamente o dia de entregar o último ensaio. Eu não fiquei muito animada com as fotos que tirei por que foi tudo muito corrido, tô muito sem tempo ultimamente e não tive nem como sair pra ir fazer as fotos. Mas como eu já li em mil lugares diferentes que qualquer lugar é lugar, que tudo depende do olhar do fotógrafo resolvi me permitir o desafio de fotografar algo próximo, qualquer coisa, mas testando ângulos diferentes e etc. O resultado foi esse aí…

Não que eu não tenha gostado, eu gostei. Mas eu já tava meio satisfeita com as fotos que fiz lá no CCBB, acabei fazendo isso aí meio que de qualquer jeito. Pior foi que  ao acabar,  me levantei e o dono do carro do lado estava chegando com a esposa, e ambos não entenderam nada quando me viram levantar assim, do nada, e sabe-se lá Deus de onde. Enfim, tem dessas coisas né? Acho que daqui pra frente só piora, mas tudo bem.



Cats: Aleatórios, Fotografia


Aline Sena (Design) | Leonardo Baêta (Desenvolvimento)