Ano: 1999. Ou menos. Ou mais. Não sei. Nessa época, esta que vos escreve não tinha o embasamento moral que tem hoje. Normal. Evolução é assim, hoje você é um cidadão de respeito, mas ontem pode ter sido um grandessíssimo asshole. O fato é que eu fui, não uma monstruosidade, mas parte do grupo “só-eu-e-minhas-amigas-prestamos-o-resto-é-puta” que hoje em dia evito com toda diplomacia. Eu não era a pior, digamos que eu fosse aquela única do grupo que cedia a uma conversa mole com uma outra integrante qualquer do grupo inimigo, o que na época me rendia o posto de “babaca” e que hoje me faz respirar e agradecer por ser parte da cura das restantes. Qual teria sido nosso futuro se não percebêssemos a tempo que éramos um bando de idiotas? Enfim, o fato é, fase é fase, e todo mortal de sorte na vida teve adolescência, e se não passou pelos mesmos problemas passou por piores. Ou melhores, em comparação aos meus, talvez.
Se eu pudesse voltar no tempo com a mentalidade que tenho hoje algumas coisas seriam diferentes. Não vou entrar no mérito de dizer que faria tudo de novo por que isso soa muito mais poético do que verdadeiro. Eu mudaria umas coisas sim, principalmente a minha falta de respeito com as outras pessoas, pessoas que eu não conhecia e mesmo assim me dava ao luxo de dizer asneiras por conta de raiva, ciúme e etc. Mais ciúme, na verdade. Eu fui uma garota mimada, que sempre se apaixonava pelo cara errado achando que um dia ele mudaria e teríamos uma vida perfeita. Não foi assim. E além de ter me ferrado no amor me fez passar pela situação totalmente dispensável em que me encontro hoje. Acho que as mães de dois amiguinhos do meu filho foram minhas vítimas no passado.
E agora?
Anteontem a filha de uma delas chamou Nicolas pra uma festinha Halloween no prédio delas, e como as crianças de lá sempre vêm brincar aqui, não me vi na posição de recusar. O foda é que é uma situação completamente constrangedora, tendo em vista que acho que elas se lembram de tudo que eu falei naquela época idiota e meio que ainda guardam rancor disso. Mas ao mesmo tempo, pode ser uma oportunidade de lavar a louça de outrora e acabar ficando tudo bem, já que já se passou tanto tempo e que eu não sou mais aquela escrota de antes. Enfim, só indo pra saber. Tomara que dê jeito de resolver essa situação.
“Mesmo conhecendo os erros alheios, e talvez por isto mesmo, deve perdoar. O perdão liberta todo mundo. Ilumine o seu caminho com esta luz. Que é atributo dos espíritos vencedores.”
Bilhetinho da Sorte

















