Em um setembro ou outubro qualquer, duas senhoras saem de uma determinada loja de eletrônicos carregando duas televisões, pedindo o auxílio de um certo transeunte para colocar as respectivas dentro de um carro. Vinte minutos depois os vendedores informam: As TVs foram roubadas. Semana passada, nesta mesma loja, descobriram dois fios de segurança desconectados da plataforma de amostras da seção de informática. Investigam aqui e ali e afirmam, apenas duas senhoras se aproximaram do local antes do desaparecimento dos citados objetos. O nome delas desconhecemos, mas a tratamos carinhosamente como “As Irmãs Metralha”.
“Queridas Irmãs Metralha,
Primeiramente, nada contra. O mundo as trata como seres invisíveis mesmo, nada mais coerente do que ver o lado positivo disso. Quais as reais possibilidades de comprarem uma TV de plasma, dois notebooks com os preços abusivos de hoje? Ah ta, hoje em dia os valores caíram bastante? Eles não têm que se virar pra sobreviver ganhando por volta 700 reais de aposentadoria. Ah, claro, esqueci de mencionar, ganhar 700 reais por mês depois de uma vida inteira de trabalho. Também não sabem a quantidade de remédios que se toma nessa idade, e que o preço de cada um pode até ser um tanto em conta, mas que geralmente vocês nunca saem de uma farmácia sem levar no mínimo uns quatro desses. E quer saber? Azar da loja, eles pagam seguranças, e aqueles milhões de vendedores por metro quadrado deviam servir pra alguma coisa né?”
Ok, não justifica. Na verdade, não é o correto, mas é difícil não achar graça quando se ouve uma história como essas. Irmãs Metralha? Tenha dó. Existe uma formação de quadrilha senil hoje em dia roubando em igrejas e isso já nem é mais novidade (no “ajoelha e reza”, segure a bolsa!), mas roubo em lojas de departamento? Desconectando fios de segurança? Foi-se o tempo da hidroginástica. Yoga já não rejuvenesce mais.
Eu vou acompanhar essas notícias, por curiosidade. E confesso, por mais politicamente incorreto que pareça, ficarei entristecida se algum dia as pegarem.

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